Os romanos governaram a Grã-Bretanha durante quase quatrocentos anos. Quarenta. Centenas. No entanto, o ADN não apoia a ideia de que conquistaram o sangue do povo. Uma nova pesquisa mostra que eles mal se misturavam.
Eles mudaram a cultura com certeza. A maioria dos britânicos nativos adotou os costumes imperiais, vestindo togas e falando a língua, mas geneticamente? Quase intocado.
Uma pré-impressão chegou ao bioRxiv em 29 de abril. Ainda não há revisão por pares, obviamente, mas os números são impressionantes. Duncan Sayer, um arqueólogo que não fazia parte da equipe, não vê razão para duvidar deles. Ele já viu os dados antes, nas migrações germânicas.
“Esses resultados confirmam absolutamente os dados que tínhamos anteriormente”, disse Sayer.
A equipe desenterrou mais de mil esqueletos. As datas vão de 2.550 aC a 1150 d.C. Essa é uma linha de tempo longa para ser condensada em uma narrativa.
Aqui está a piada. Apenas 20% do DNA encontrado nas sepulturas da era romana veio de fora da Grã-Bretanha.
Agora vejamos os anglo-saxões que vieram depois. Naquela época, cerca de 70% da composição genética nas sepulturas britânicas era germânica. O contraste é brutal. Os saxões se misturaram. Os romanos permaneceram separados, governando principalmente de cima, sem casar abaixo.
E os vikings?
Você poderia pensar que a região de Danelaw, impregnada de tradição dinamarquesa, estaria inundada de DNA nórdico. Não é.
No norte da Inglaterra, durante a Era Viking, apenas 4% dos perfis apresentavam raízes escandinavas da Idade do Ferro. Isso é insignificante. Depois, a partir do século VIII, o ADN da Europa Central e do Sul aumenta. A migração medieval parece uma fera totalmente diferente.
O problema de amostra
Os pesquisadores argumentam que preencheram uma lacuna. Os estudos anteriores de DNA da Grã-Bretanha romana eram pequenos. Específico. Regional.
James Gerrard, da Universidade de Newcastle, não está convencido de que o quadro seja completo.
Duzentas amostras da era romana de um total de mais de mil. Gerrard acha que isso é muito pequeno. Os arqueólogos examinaram milhares de sepulturas romanas ao longo de décadas.
Há também a questão da localização. O novo estudo favorece os enterros na cidade.
A vida rural era diferente. As taxas de casamentos mistos podem ter mudado no campo, lugares que os investigadores não perceberam. Além disso, a pegada de Roma era desigual. As tropas acamparam fortemente no Norte. Cidades surgiram no Oriente. O mapa genético pode estar apenas mostrando onde os soldados viviam, e não onde o império realmente tocou vidas.
“Temos um problema… sobre se o DNA antigo é representativo”, disse Gerrard.
Quando os homens se mudaram para as casas das mulheres
O contexto é importante. O imperador Cláudio invadiu em 43 DC. Júlio César havia tentado antes, brevemente, em 55 AC e 54 AC. Foram apenas dois breves momentos antes da verdadeira ocupação. O fim veio em 410 DC. As tropas retiraram-se. Invasores germânicos esperavam no continente, Roma tinha outros peixes para fritar.
Apesar do isolamento genético, os romanos mudaram a forma como os britânicos morriam. Ou pelo menos como eles enterraram.
Antes de Roma, os enterros eram agrupados por linhagens maternas. Cultura Celta. As mulheres eram chefes de família. Poderoso. Os homens casavam-se e mudavam-se para a casa ancestral da esposa. Esta prática perdurou no oeste da Inglaterra, a fortaleza nativa.
Mas o DNA dos cemitérios romanos não mostra tal padrão. O agrupamento matrilinear desapareceu.
Por que? Provavelmente patriarcado romano. Uma sobreposição cultural sem mistura biológica. Os pesquisadores se recusaram a comentar, aguardando a publicação revisada por pares. Talvez eles estejam certos em esperar. Os dados estão lá. A história ainda está sendo contada.
