A cidade perdida: um ecossistema hidrotérmico incomparável nas profundezas das ondas

12

Uma formação geológica única, apelidada de Cidade Perdida, fica escondida a mais de 700 metros abaixo da superfície do oceano, perto da Dorsal Mesoatlântica. Descoberto em 2000, este campo hidrotermal é diferente de qualquer outro conhecido na Terra: uma paisagem de imponentes estruturas carbonáticas, algumas atingindo até 60 metros de altura, elevando-se do fundo escuro do oceano.

Um mundo sem luz solar

A Cidade Perdida não depende do calor vulcânico como a maioria das fontes de águas profundas. Em vez disso, é alimentado por reações químicas entre a água do mar e o manto terrestre, libertando hidrogénio, metano e outros gases. Este processo sustenta um ecossistema microbiano próspero e independente de oxigênio, alimentando caracóis, crustáceos e até animais maiores, como caranguejos e enguias. Este ecossistema é particularmente significativo porque não depende do carbono atmosférico ou da luz solar – sugerindo que a vida poderia surgir em ambientes igualmente adversos em outras partes do sistema solar.

Origens Antigas, Ameaças Modernas

Os pesquisadores acreditam que a Cidade Perdida está continuamente ativa há pelo menos 120 mil anos, potencialmente por muito mais tempo. Uma amostra recente de rocha do manto, com mais de 1.268 metros de comprimento, recuperada em campo, pode conter pistas sobre as origens da vida na Terra. A própria estrutura da Cidade Perdida – enormes chaminés de calcita – sugere estabilidade a longo prazo, ao contrário das fontes vulcânicas mais voláteis.

No entanto, este habitat único está agora ameaçado. Em 2018, a Polónia garantiu direitos mineiros na área circundante de águas profundas. Embora o campo térmico em si não seja rico em recursos mineráveis, a interrupção das plumas de mineração pode devastar o ecossistema circundante. Os cientistas defendem a sua proteção como Património Mundial antes que ocorram danos irreversíveis.

A Cidade Perdida é um raro exemplo de ecossistema que pode existir em outros mundos oceânicos, como Europa e Encélado, ou mesmo em Marte no passado. A sua sobrevivência depende de protegê-la da interferência humana.

A Cidade Perdida não é apenas uma curiosidade geológica; é um laboratório vivo e um lembrete do potencial da vida florescer nos lugares mais inesperados. Protegê-lo não se trata apenas de preservar uma maravilha natural, mas de compreender as origens da própria vida.