O clima seco da África Oriental acelera o Rift Continental

12

A África Oriental está a dividir-se a um ritmo crescente e novas pesquisas sugerem que este não é apenas um processo geológico – está a ser directamente influenciado pelo clima seco da região. Um estudo publicado no Scientific Reports revela uma ligação clara entre o declínio dos níveis dos lagos ao longo dos últimos 5.000 anos e a aceleração da actividade tectónica ao longo da Zona do Rift da África Oriental.

A relação bidirecional entre o clima e as placas tectônicas

Durante décadas, os cientistas presumiram que as forças tectónicas moldavam o clima: a construção de montanhas altera os padrões de precipitação, por exemplo. No entanto, esta pesquisa demonstra que o inverso também é verdadeiro. As mudanças no peso da água e na pressão subterrânea causadas pelas mudanças climáticas impactam diretamente a rapidez com que os continentes se movem.

O estudo centrou-se no Lago Turkana, no Quénia, que já foi 150 metros mais profundo durante o Período Húmido Africano, mais húmido (cerca de 9.600 a 5.300 anos atrás). Ao analisar antigos sedimentos do leito do lago, os pesquisadores descobriram que, à medida que o clima secava e os níveis da água caíam, as falhas geológicas ao redor do lago começaram a se mover mais rapidamente.

Como a secagem dos lagos acelera a deriva continental

O efeito é mensurável: as falhas agora se movem 0,007 polegadas (0,17 milímetros) extras mais rápido por ano. Embora África já esteja a dividir-se em 0,25 polegadas (6,35 milímetros) por ano, esta aceleração não é insignificante. O processo funciona de duas maneiras principais:

  • Pressão reduzida: Menos água significa menos peso na crosta terrestre. Isso permite que as falhas geológicas se movam mais livremente, como afrouxar uma morsa em duas placas de rocha.
  • Atividade Vulcânica: O clima seco também descomprime o manto sob um vulcão no lado sul do Lago Turkana. Esta descompressão faz com que mais magma derreta e infle a câmara do vulcão, aumentando o estresse tectônico nas falhas próximas.

Implicações de longo prazo e pesquisas futuras

As descobertas sugerem que a atividade sísmica na região é provavelmente mais pronunciada agora do que era há 8.000 anos. Esta não é apenas uma preocupação teórica; O processo de rifteamento da África Oriental acabará por dividir o continente em duas placas, com a formação de um novo oceano no meio.

Os investigadores estão agora a expandir os seus estudos para o Lago Malawi, analisando mudanças no nível da água que remontam a 1,4 milhões de anos para obter uma compreensão mais ampla de como o clima e a separação continental interagem ao longo do tempo geológico. Esta investigação sublinha que as placas tectónicas não são apenas um processo lento e interno da Terra – são activamente influenciadas pelas condições da superfície, particularmente pela disponibilidade de água.

O estudo prova que o clima não é apenas resultado da atividade geológica; é também um impulsionador disso, com implicações para a compreensão da deriva continental e da atividade sísmica na África Oriental e além.