A Chanceler do Reino Unido, Rachel Reeves, anunciou um plano para impedir que as principais empresas tecnológicas e investigadores britânicos se mudem para o estrangeiro em busca de melhores oportunidades financeiras. A iniciativa centra-se num investimento de 2,5 mil milhões de libras em sectores de ponta como a computação quântica e a inteligência artificial (IA), com o objectivo de inverter uma tendência de inovação “à deriva” no exterior.
O problema: uma fuga de cérebros para a tecnologia britânica
Muitas empresas tecnológicas promissoras sediadas no Reino Unido acabam por transferir as suas operações para países como os Estados Unidos, impulsionadas por factores como:
– Investimento interno limitado de fundos do Reino Unido,
– Uma Bolsa de Valores de Londres mais fraca em comparação com as alternativas globais, e
– Ambientes fiscais mais favoráveis noutros locais.
Esta saída de talentos e de capital tem sido uma preocupação há muito tempo, uma vez que dificulta o crescimento económico interno. Ashley Montanaro, CEO da desenvolvedora de algoritmos quânticos Phasecraft, confirma que são comuns aquisições de empresas de alto perfil do Reino Unido por entidades estrangeiras, ou fundadores que se mudam para os EUA. Montanaro observa que garantir financiamento substancial tem sido historicamente mais fácil no estrangeiro, embora reconheça uma mudança recente no sentido de um maior interesse do Reino Unido em apoiar a tecnologia nacional.
A Solução: Investimento Estratégico e Alinhamento da UE
O plano de Reeves envolve três estratégias principais:
1. Aumento do investimento governamental: O compromisso de 2,5 mil milhões de libras centrar-se-á na computação quântica e na IA, setores considerados críticos para a competitividade económica futura. A computação quântica, em particular, é elogiada pelo seu potencial para revolucionar o processamento de dados e impulsionar avanços em todos os setores.
2. Laços mais estreitos com a UE: Reeves argumenta que o alinhamento com os regulamentos da UE “quando for do interesse nacional” estimulará a actividade económica e a criação de emprego. Esta abordagem sinaliza uma estratégia pós-Brexit pragmática, reconhecendo os benefícios dos mercados integrados.
3. Parcerias Regionais: O fortalecimento das relações económicas com outras potências globais diversificará as oportunidades de investimento e mitigará os riscos associados à dependência excessiva de qualquer mercado único.
O objetivo é garantir que o Reino Unido se torne um dos principais adotantes da IA no G7 e que a computação quântica crie 100 mil novos empregos em todo o país.
Segurança Energética e Cadeias de Abastecimento Globais
A Chanceler também abordou preocupações sobre o aumento dos preços da energia, ligado à instabilidade geopolítica (particularmente o encerramento do Estreito de Ormuz relacionado com o conflito) e ao recente aumento dos preços do petróleo. Embora não tenha defendido a expansão imediata da perfuração no Mar do Norte, ela reconheceu que o aumento da produção no Canadá e na Noruega é necessário para garantir o abastecimento.
Reeves enfatizou que o Reino Unido deve “desempenhar o seu papel” nos mercados energéticos globais e que a reintegração nas redes energéticas europeias estabilizará ainda mais os preços. A implicação mais ampla é que a segurança energética é agora vista como uma componente crítica da estabilidade económica e requer cooperação internacional.
“Cada país tem de desempenhar o seu papel para garantir que o fornecimento de energia esteja disponível quando precisamos dele… particularmente numa altura em que o Estreito de Ormuz está efetivamente fechado.”
A oposição conservadora criticou os planos de Reeves como um “retrocesso no Brexit”, mas a Chanceler mantém que o alinhamento estratégico com as regras da UE é do interesse das empresas e dos trabalhadores britânicos. O sucesso a longo prazo desta abordagem dependerá da sua capacidade de atrair investimento, reter talentos e navegar na complexa interação entre a política interna e as forças do mercado global.
Esta iniciativa assinala um papel mais intervencionista do Estado na definição dos resultados económicos, um afastamento das abordagens anteriores que dependiam mais fortemente da liberalização do mercado. Ainda não se sabe se conseguirá reverter a “fuga de cérebros” tecnológica, mas a urgência da situação levou claramente a uma nova estratégia ousada.
