Está acontecendo de novo. Olhe para cima.
Se você viu o céu recentemente, deve ter notado algo estranho. Nem o pôr do sol habitual, nem a lua. Um brilho estranho e avermelhado. Às vezes, dura dez minutos. Às vezes aparece como uma esfera perfeita. Parece uma aurora, mas sem o verde ou o roxo. Apenas vermelho.
Este não é um fenômeno natural novo. Não é uma mudança no campo magnético da Terra. É a SpaceX.
A empresa espacial lança foguetes várias vezes por mês – até cinco vezes em alguns meses. E cada lançamento deixa uma marca na atmosfera superior. Uma ferida temporária.
O que cria essas auroras vermelhas?
Para entender o brilho, você precisa entender a ionosfera.
É uma camada da atmosfera da Terra, situada a cerca de 60 a 1.000 quilômetros de altura. Está cheio de partículas carregadas. Os cientistas chamam isso de gás ionizado. Funciona como um escudo. Reflete ondas de rádio. Ele nos protege da radiação solar.
Mas os foguetes mudam as coisas.
Quando um foguete da SpaceX decola, ele não sobe simplesmente. Ele perfura. A exaustão e a onda de choque perturbam a ionosfera. Eles criam lacunas. Buracos.
Esses buracos estão faltando íons.
E quando esses íons faltam, o gás circundante reage. Ele emite luz. Especificamente, luz vermelha.
É isso. Esse é todo o mecanismo.
“O espetáculo, dizem os astrônomos, nos é oferecido pela SpaceX.”
A cor vermelha vem dos átomos de oxigênio na alta atmosfera. Eles estão entusiasmados com a perturbação. Eles liberam energia na forma de fótons. Fótons vermelhos.
Isso acontece rapidamente. O foguete passa. O buraco permanece por um tempo. O brilho vermelho permanece. Então, os íons se recombinam. O céu escurece novamente.
Por que isso importa?
Não é apenas bonito.
A ionosfera é frágil. Faz parte do sistema climático espacial. Afeta as comunicações. Os sinais de GPS refletem nele. Se a ionosfera for perturbada, os sinais enfraquecem. A navegação falha.
Os lançamentos da Spacex são frequentes. Eles estão mudando a atmosfera. Regularmente.
As pessoas no terreno veem isso. Eles acham que é raro. Eles acham que é novo.
Não é nenhum dos dois.
É apenas um efeito colateral de ir para o espaço. Um efeito colateral visível.
Da próxima vez que você vir uma esfera vermelha no céu noturno, não pegue um telescópio. Basta olhar para cima. E pense no foguete que acabou de sair.

Como o escapamento do foguete SpaceX perfura a ionosfera
A física é quase limpa demais para ser real.
Um propulsor Falcon 9, caindo em direção ao Oceano Pacífico cerca de 90 minutos após a decolagem, aciona seus motores por apenas dois segundos. Essa breve queimadura não se trata apenas de desacelerar. É um evento químico que envia uma nuvem de gases de escape para a alta atmosfera.
Estamos falando de cerca de 180 quilos de gás. Principalmente vapor de água e dióxido de carbono. Lançado a uma altitude de cerca de 300 quilômetros.
Nessa altura, você está nas profundezas da ionosfera. A camada já é fina, já frágil. Quando aquela nuvem concentrada de CO2 e H2O o atinge, o resultado é uma perturbação localizada. Um buraco.
O gás esfria rapidamente. Ele altera a densidade eletrônica do plasma circundante. A ionosfera literalmente desenvolve uma cavidade. Uma ferida artificial temporária no céu.
Por que os astrônomos estão preocupados
Para os cientistas atmosféricos, esta é uma mina de ouro. É um experimento controlado que acontece em tempo real. Finalmente temos uma maneira de estudar exatamente como o aumento do tráfego espacial degrada nosso ambiente próximo à Terra. Mais lançamentos significam mais buracos. Mais buracos significam mais dados sobre como a ionosfera se cura – e o quanto ela muda ao longo do tempo.
Mas para os astrónomos, o quadro é menos benigno.
Esses distúrbios se manifestam como auroras vermelhas. Manchas brilhantes de luz que não existiam antes. Eles aparecem onde a pluma de exaustão interage com as linhas do campo magnético e as partículas ambientais.
“A ionosfera é a última camada do escudo protetor da Terra antes do espaço profundo. Perturbá-la tem efeitos em cascata que ainda estamos tentando mapear.”
O problema não é apenas a desordem visual. É a interferência.
As auroras vermelhas espalham a luz de maneiras que comprometem a qualidade da observação. Os telescópios, tanto terrestres quanto orbitais, dependem de linhas de visão claras. As perturbações atmosféricas introduzem ruído. Eles distorcem os sinais. Eles tornam os objetos fracos mais difíceis de detectar.
À medida que a frequência de lançamento aumenta, estas auroras artificiais tornar-se-ão mais comuns. Mais frequente. A questão não é se eles afetarão a ciência. É o quanto eles irão degradá-lo.
Estamos trocando céus mais limpos por acesso mais rápido à órbita. O custo está escrito na ionosfera. Na luz vermelha. Nas lacunas deixadas para trás.

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